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Concurseiros: “a classe que não produz nada para a sociedade”



Seriam os concurseiros realmente improdutivos?



Com certeza você já leu alguma notícia sobre a “improdutividade dos servidores públicos”.

Historicamente, esse tipo de afirmação serve para sustentar posicionamentos políticos contrários à prestação de serviços pelo Estado.

Afinal, se algo funciona mal o mais correto é propor a sua destruição, correto? É o que acontece quando aparece uma infiltração em casa, ou quando o pneu do carro fica careca: não podemos consertar nem melhorar, temos que destruir de vez.

Na prática, quanto menos serviços o Estado prestar, mais espaço sobra para a iniciativa privada auferir lucro. Esse cenário é o que parecem pretender os que se valem desse discurso.

E os que não têm como pagar? Bom… eles não têm como pagar.

E as situações onde não existir lucro? Bom... não existirá serviço. 


Além desse tipo de matéria agredindo o serviço público, ultimamente, tem sido bem comum o discurso de ódio também contra os concurseiros. 



Essas pessoas, que buscam no serviço público a possibilidade de exercer um trabalho gratificante numa boa carreira, com mais dignidade e menos insegurança que na iniciativa privada, comumente são rotuladas de “improdutivas”.

Isso porque, segundo a grande mídia, alguns concurseiros “deixam de produzir” quando largam seus empregos (ou se abstêm de buscar colocações no mercado por um tempo) para se dedicar integralmente os concursos. 


Os poucos que podem, né?! A maioria dos que eu conheço estuda e trabalha.

No entanto, reflita comigo... O que seria “deixar de produzir”?

Deixar de vender, por preço de banana, a coisa mais preciosa que temos (o nosso tempo) ao patrão para que ele aumente o lucro e compre mais um jet ski significa “deixar de produzir”?

Estudar as Leis e a Constituição Federal, tomando conhecimento dos deveres e obrigações, entre outras coisas que muitos “trabalhadores produtivos” sequer sabem que lá estão é “deixar de produzir”?

Almejar e batalhar pelo ingresso nas fileiras do Estado, para servir a toda a sociedade, é “deixar de produzir”?

Penso que não. Muito pelo contrário...

Calma! Não estou pregando o ódio à atividade produtiva, que sempre foi e sempre será essencial para o nosso desenvolvimento.

Porém, eu acredito que o advento do rotulado “mercado do concurso público” esteja produzindo coisas positivas SIM e, inclusive, contribuindo fortemente com a transformação desse país.
“No ano passado, 10 milhões de brasileiros inscreveram-se em concursos (...)”
- Veja São Paulo, 2011

Em nenhuma outra época houve, simultaneamente no Brasil, tantos cidadãos estudando as leis e tomando conhecimento do funcionamento da estrutura do Estado; desenvolvendo senso crítico; compreendendo e debatendo questões antes reservadas à discussão pelas mais altas classes socioeconômicas: políticos e empresários. Isso porque o brasileiro, de modo geral, estuda pouco.

A média de anos de estudo no Brasil é inferior às médias registradas no Mercosul no Brics.
- G1, 2017

Os concursos atuais, cada vez mais concorridos, têm exigido dos candidatos – além dos tradicionais Português, Raciocínio Lógico, Direito Administrativo, Direito Constitucional etc.– conhecimentos de Administração Pública, Orçamento Público, Código de Ética, Conhecimentos Gerais e/ou Atualidades entre outros.

O mero contato com essas disciplinas, além da mudança de comportamento provocada pela própria necessidade de buscar conhecimento, provoca inevitáveis reflexões em milhares de candidatos todos os anos.

Essas pessoas acabam desenvolvendo um senso coletivo elevado e se tornando multiplicadoras de seus novos conhecimentos e pontos de vista, participando cada vez mais do debate e exercendo melhor as prerrogativas cidadãs.

Em razão disso, os futuros servidores públicos (atuais concurseiros) são cada vez mais capazes de identificar e resolver os problemas do Estado e, através de sua capacidade técnica e senso coletivo, enfrentar os interesses políticos contrários ao interesse público.

A quem isso assusta? Quem teme as pessoas que conhecem seus direitos e obrigações?

Por outro lado, o brasileiro considerado “produtivo” pela lógica da imprensa (e dos que fazem uso dessa) está tão sobrecarregado pelo seu trabalho – pela acumulação de funções e responsabilidades, pelo tempo de deslocamento, pela carga horária excessiva – que sequer tem tempo de estudar ou ler um artigo qualquer.

Quando sobra uma gota de tempo, ele acaba buscando o entretenimento para anestesiar a insatisfação com o dia a dia exaustivo.

Panen et circenses

Quando muito se esforça, tentando se manter informado pelo noticiário, fica limitado, também pela falta de tempo, a engolir a informação do jeitinho que a imprensa entrega, dada a baixa capacidade de criticar as informações que consome.

Infelizmente, mas propositalmente, o trabalhador comum é propelido a sequer ter noção de que está submerso nessa densa atmosfera.

Logo, o concurseiro produz.

O concurseiro produz
conhecimento, senso coletivo, pensamento crítico, cidadania, conscientização.

P
ara o desenvolvimento sustentável de uma sociedade, o que é o mero lucro perto disso tudo?


Fica a reflexão.

Até a próxima,
Fui!



EM DEFESA DO SERVIÇO PÚBLICO DE EXCELÊNCIA!



4 comentários:

  1. Muito bom seu artigo, Guydion! Essas pessoas que geralmente nos criticam (os concurseiros), são as pessoas que exploram os trabalhadores ou simplesmente criticam porque não tem coragem de fazer o mesmo (ir estudar e sentar a bunda na cadeira). Eu continuo na luta, espero estar mais perto do que longe. Sucesso pra vc! 😘💪

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    1. Obrigado pelo comentário e a presença de sempre, Lizz. Estamos juntos nessa caminhada! Abraços :D Sucesso pra nós!

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  2. Produz mesmo!! Nunca fui muito produtiva, agora estou por dentro de tudo e ainda carrego um canal que cresce bastante no youtube! Quando eu passar vou compartilhar essa publicação.

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  3. Show de bola! Sucesso pra nós, Jéssica! Abraços

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